terça-feira, 22 de janeiro de 2019

URGENTE: Palocci termina de 'enterrar' Lula, Haddad e Dilma com revelações impactantes


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
Em seu acordo de delação, o ex-ministro Antonio Palocci apresentou diversos anexos, cada um para um tema. O Anexo nº 5 é relativo à Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Em depoimento, Palocci esclareceu questões pontuais relativas aos fatos que já tinha apresentado. O depoimento é o retrato de um ambiente de corrupção generalizada. 


Ouça: 


Leia os principais fatos descritos no depoimento. 

Um mês antes da licitação da Usina de Belo Monte, o empresário Otávio Marques de Azevedo, da construtora Andrade Gutierrez, procurou Palocci pedindo ajuda para que a empresa conseguisse a obra. A reunião ocorreu no apartamento de Palocci em Brasília. Na época, Palocci era deputado e coordenador da campanha eleitoral de Dilma Rousseff à Presidência. 

Na reunião, Otávio Azevedo teria dito a Palocci que, por causa do cartel entre as grandes empreiteiras nacionais, a obra deveria ser concedida ao consórcio liderado pela Andrade Gutierrez e, por isso, a Odebrecht e a Camargo Corrêa tinham se retirado da liderança do processo. Além disso, Otávio teria dito que acreditava que o Governo Federal estava tentando diminuir o preço para a execução do projeto - a Andrade Gutierrez queria 25 bilhões de reais, e o governo projetava de 15 a 18 bilhões. O empresário estaria ainda preocupado porque o Governo Federal estaria formando um consórcio próprio, que ofereceria um preço menor; esse consórcio teria sido pedido pelo governo a Delfim Neto e José Carlos Bumlai, com empresas de menor porte, como o Grupo Bertin, J. Malucelli, e Serveng, entre outras, e não teria capacidade para uma obra daquela magnitude. Segundo Otávio Azevedo, o consórcio teria sido criado para forçar a Andrade Gutierrez a baixar o preço. 

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Palocci relata que, após a conversa, tentou confirmar as informações com Erenice Guerra, que era Ministra-Chefe da Casa Civil. O encontro foi na própria Casa Civil, e Erenice confirmou “basicamente todas as palavras de Otávio Azevedo”. Segundo o relato, o governo federal sabia do cartel e do arranjo para que a Andrade Gutierrez vencesse a licitação; para forçar a queda dos preços, o governo estava constituindo o consórcio alternativo com o apoio de Bumlai e Delfim Neto. O governo também sabia que o consórcio não tinha capacidade para executar a obra. A ministra, então, teria dito a Palocci para dizer ao empresário que, se a empresa perdesse a licitação, “depois as coisas se arrumariam”. Palocci disse que repetiu para Erenice Guerra a existência dos acertos de propina envolvendo a obra. 

Mesmo com Palocci dizendo a Erenice que Otávio Azevedo tinha se comprometido a pagar 1% dos valores da execução do contrato ao PT e ao PMDB (porque tinha combinado isso com Ricardo Berzoini), a ministra disse que o consórcio alternativo seria mantido e “nenhuma porta do governo seria fechada”. 

O consórcio formatado por Bumlai e Delfim Neto venceu o leilão, e Otávio Azevedo voltou a procurar Palocci. Contou-lhe como estava o leilão, disse que as grandes empresas do consórcio nem estiveram presentes na licitação, demonstrando desinteresse. O empresário contou também que tinha sido procurado por outros grandes empreiteiros como Léo Pinheiro, da OAS, Ildefonso Colares e diretores da Galvão Engenharia. Otávio Azevedo, então disse que disputaria o contrato de construção da obra e voltou a oferecer propina de 1% do contrato. Palocci disse que não queria receber os valores vinculados à obra de Belo Monte, porque não havia garantia de que a Andrade Gutierrez conseguiria o contrato. O empresário insistia para fazer os pagamentos, para ter alguma garantia de que conseguiria a execução da obra. Ao mesmo tempo, Palocci era pressionado pelo PMDB, que era responsável pelo Ministério de Minas e Energia e acompanhava os movimentos relativos à execução da obra de Belo Monte. Então, agentes do PMDB procuraram Palocci diretamente, pedindo um percentual da obra para a campanha eleitoral de 2010. 

Palocci, então, decidiu dividir as propinas relativas a Belo Monte entre o PT e o PMDB, e Otávio Azevedo aceitou a proposta. Palocci pediu que os pagamentos aos líderes do PMDB fossem iniciados imediatamente, para garantir o apoio do partido nas eleições de 2010 e no governo. Palocci explicou que a Andrade Gutierrez estava efetuando vultosos pagamentos em benefício do PT, relativos a outras obras. Para o ex-ministro, pagar o PMDB significava ajudar o PT. Palocci relatou que João Vaccari Neto, tesoureiro do partido, concordou que os pagamentos vinculados a Belo Monte fossem feitos ao PMDB, preservando-se a pendência quanto à parte do PT e que o PMDB também concordou com a divisão da propina, e também confirmou que estava recebendo os pagamentos. Segundo Palocci, o apoio da Andrade Gutierrez ao PMDB foi essencial para o êxito da campanha do PT. 

Palocci disse que avisou Dilma sobre os vultosos pagamentos feitos ao PMDB por Belo Monte, quando ela ainda era candidata. Segundo Palocci, Dilma efetivamente autorizou que se continuasse a agir daquela forma. Então, Palocci perguntou a Dilma se devia autorizar a Andrade Gutierrez a fazer pagamentos ao PT relativos à obra de Belo Monte. Segundo Palocci, Dilma não autorizou. 

Como o empresário continuava a insistir em fazer pagamentos ao PT para ter uma garantia do contrato de construção de Belo Monte, Palocci sugeriu que se destinassem recursos a Lula, sugerindo doações ao Instituto Lula ou pagamento de palestras. Otávio Azevedo perguntou se poderia pagar ao instituto Vox Populi por “pesquisas de interesse de Lula”, o que foi aceito. Palocci diz que a Andrade Gutierrez fez diversos pagamentos ao Vox Populi no interesse do PT durante a campanha de 2010. 

Em 2012, Palocci teria recebido a visita de Vaccari, que queria cobrar valores das empresas do consórcio para a construção de Belo Monte, para a campanha de Fernando Haddad em São Paulo, pedido que seria do próprio Lula. Palocci informou a Vaccari que Dilma não tinha autorizado aquela cobrança específica. Dias depois, Palocci foi chamado para uma reunião com Lula, onde encontrou também José Carlos Bumlai. Segundo Palocci, Lula estava irritado por Dilma não ter cobrado valores por Belo Monte e queria explicações. Lula teria pedido que ele ajudasse Vaccari, e dito que precisava pagar as pessoas que ajudaram na formação do consórcio vencedor, ou seja, Delfim Neto e o próprio Bumlai. Lula teria dito que ele mesmo tinha mandado formar o consórcio alternativo e eles ainda não tinham sido pagos. Segundo Palocci, Bumlai e Delfim Neto deveriam receber trinta milhões pela formação do consórcio, sem informar quanto caberia a cada um. Palocci disse ainda que acreditava que o próprio Lula também tinha interesse no recebimento dos valores. 

Vaccari, então, em outra ocasião, teria procurado Palocci e informado que Lula tinha dito que Dilma autorizara a cobrança de propina do consórcio construtor de Belo Monte, e que Vaccari queria que Palocci falasse com Otávio Azevedo. Vaccari, depois, informou que estava recebendo os pagamentos, mas ainda não havia os pagamentos a Delfim Neto. 

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Palocci, então, recebeu uma nova visita de Otávio Azevedo, acompanhado por José Carlos Bumlai, e  Otávio perguntou se havia necessidade de pagar 30 milhões a Delfim Neto. Caso fosse necessário fazer o pagamento, Otávio pretendia abater 15 milhões dos valores devidos ao PT e 15 milhões dos valores devidos ao PMDB. Segundo Palocci, a presença de Bumlai na reunião confirmava que parte dos 30 milhões seria destinada a Bumlai, e que muitas vezes os trabalhos de Bumlai eram feitos para a sustentação da família de Lula. Palocci diz ainda que, em várias oportunidades, Bumlai tinha solicitado recursos para atender aos projetos dos filhos de Lula. 

Palocci disse que soube posteriormente, por Vaccari, que o PT tinha autorizado o abatimento de 15 milhões para o pagamento de Delfim Neto, e que o economista disse que recebeu cerca de 4 milhões. 

Antonio Palocci relata ainda que também a Odebrecht pagou propina relativa a Belo Monte. Palocci diz que Marcelo Odebrecht disse que seu pai havia destinado cerca de 15 milhões de reais, em razão da participação da empresa em Belo Monte, para Lula. O dinheiro deveria ser administrado por Palocci. Palocci, então, teria pedido que Marcelo Odebrecht “acertasse” pedidos feitos por Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula. Segundo Palocci, à época Okamoto tinha pedido 4 milhões de reais, além de outros pedidos por dinheiro, para saldar dívidas do Instituto Lula, do próprio Lula e de seus familiares. Palocci disse que soube depois que Marcelo Odebrecht pagou os 4 milhões por meio de doação ao Instituto Lula. 

Palocci relatou ainda pagamentos em espécie ao próprio Lula. Disse que levou, em diversas oportunidades, lotes de 30, 40, 50 e 80 mil reais para o ex-presidente. O dinheiro era levado em caixas de whisky ou de celular. Palocci diz que Lula o orientou a não falar sobre esses pedidos com Paulo Okamoto nem com ninguém. Palocci relata diversas entregas, em São Paulo, no avião presidencial, no terminal da Aeronáutica em Brasília, e no aeroporto de Congonhas.

Em depoimentos separados, dois motoristas de Antonio Palocci confirmaram que levaram o ex-ministro aos locais das entregas, e que tinham conhecimento de que as entregas eram de dinheiro e o destinatário era Lula.

Em outros anexos de sua delação, Palocci relata muitos outros episódios lamentáveis dos governos petistas. Há, por exemplo, um anexo específico para relatar como eram as nomeações dos diretores da Petrobras. O ex-ministro está negociando ainda um novo acordo de delação. 

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Correio do Poder
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