sábado, 13 de abril de 2019

‘Não consigo acreditar que alguém com condenações anteriores, e surpreendido novamente, possa ser colocado na rua’, diz promotor


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O promotor Rodrigo Merli Antunes, especialista em Processo Penal que atua no Tribunal do Júri de Guarulhos, comenta uma decisão judicial que libertou um traficante que já acumulava condenações com o argumento de que as condenações anteriores não serviram para nada. Para o promotor, o absurdo da situação torna difícil refutar os bandidólatras sem se exaltar. 


Ouça: 


Leia o texto do promotor Rodrigo Merli Antunes:

Confesso que estou tentando mudar de assunto, mas muitos bandidólatras não me deixam em paz. Esta semana, mais um deles chamou a minha atenção. Imagine você, caro leitor, que um juiz de direito do Sul do País concedeu liberdade provisória a um traficante de drogas multirreincidente, alegando o magistrado que suas condenações anteriores não serviram para nada, não tendo a polícia ido atrás dos chamados "peixes grandes". Na sequência, invertendo qualquer raciocínio lógico, o tal juiz finalizou dizendo que o encarceramento do "anjinho" somente aumentaria mais a traficância, razão pela qual o autuado deveria ser solto. Sinceramente, não consigo acreditar que alguém com duas condenações anteriores, e surpreendido novamente com 40 porções de cocaína, possa ser colocado imediatamente na rua. Isso é canalhice na sua mais pura essência! 
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Como dito pelo professor Olavo de Carvalho, fica difícil tratar providências como esta com garbo e elegância, até porque isso seria reconhecer que elas possuem algum tipo de dignidade, razão pela qual precisariam ser refutadas com sutileza e parcimônia. Definitivamente, não consigo! Para situações como esta, a argumentação e a lógica me parecem inúteis. Primeiro, porque quem providencia tal absurdo não deve entender nem mesmo que dois e dois são quatro. Depois, porque a indignação é tanta que somente a demonstração de certa ira é que poderá fazer com que o sujeito sinta na pele a mesma ofensa pela qual foi responsável. Mas, aí, alguns poderiam dizer que isso é pecado. 
Pois é, também parei para refletir sobre isso. No entanto, lendo alguns ensinos de Robert Jones, creio ser possível manifestar indignação sem desagradar a Deus. Primeiro, tenha em foco um pecado real. Depois, se insurja contra ofensas desferidas não a si próprio, mas sim a Ele e Seus valores. Por fim, aja de forma comedida e temporária. Pois é isto que tento fazer. Se estou acertando ou não, definitivamente não sei. Só não consigo ficar calado. Como já dizia o pensador francês Victor Hugo, a compaixão nem sempre é uma virtude. Quem opta por proteger o lobo, acaba sempre sacrificando as ovelhas. O juiz aí de cima fez exatamente isso: traiu a confiança da sociedade, protegeu o malfeitor e ainda entregou as ovelhas de Cristo à própria sorte. Mais cedo ou mais tarde, enfrentará o juízo perfeito. Não o meu e nem o seu. Mas sim o Dele. E aí, meu amigo, eu é que não gostaria de estar por perto! 

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Correio do Poder
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