sábado, 18 de agosto de 2018

Promotor questiona argumentos de desarmamentistas: 'Eu já estou convencido. E você?'


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O promotor Rodrigo Merli Antunes, especialista em Processo Penal que atua no Tribunal do Júri de Guarulhos, avaliou alguns aspectos do debate sobre o desarmamento da sociedade e questiona dados que são apresentados como "verdades absolutas".  Em artigo publicado no Metro Jornal, após levantar dez pontos que costumam surgir em debates e questioná-los com base em dados apresentados no livro Mentiram para Mim Sobre o Desarmamento*, Antunes convida à reflexão: "Enfim, eu já estou convencido. E você? Mudou de ideia? Ou vai querer ser mais santo que Jesus Cristo? Até Ele disse aos seus discípulos: 'vendam suas capas e comprem uma arma' (Lc, 22:36)".


Leia abaixo o texto completo: 
Após estudar tal assunto com seriedade e sem o viés ideológico da grande mídia, apurei dez aspectos sobre o tema em voga, os quais divido aqui com o leitor: 
1) Armas de fogo não matam por si mesmas. Precisam de um assassino por detrás. O problema, portanto, não são as armas em si, mas sim com quem elas estão. 
2) Ao contrário do divulgado, países desarmamentistas costumam ter índices de violência superiores aos daqueles com uma política mais liberal sobre a matéria. 

Leia também: 

3) A maioria dos artefatos apreendidos com criminosos não saem das mãos de cidadãos de bem. Após 50 anos de estudos, apurou-se que menos de 25% deles vieram de pessoas que os compraram legalmente. Aliás, em 2017, menos de 5% das armas dos bandidos tinham procedência lícita, vindo todo o restante do mercado negro. 
4) Acidentes domésticos com armas de fogo são raros e em quantidade muito menor do que afogamentos, quedas, intoxicações, queimaduras etc. Representam 0,7% dos acidentes entre crianças e 1,4% entre os adultos. 
5) Quanto aos suicídios, apesar da restrição na venda de armas desde 2003, é certo que aqueles aumentaram do mesmo modo. Apenas foram praticados por outros meios. 
6) O controle rígido da venda de armas não facilita a elucidação de delitos. Criminosos não utilizam armamento registrado e não vão em lojas para adquiri-lo. Logo, o rastreamento pretendido é inútil. 
7) O Estatuto do Desarmamento não diminuiu a violência no Brasil. Desde a vigência do mesmo, o número de assassinatos subiu de 50 para mais de 63 mil por ano. 
8) Quando os bandidos sabem que a vítima está armada, 74% deles desistem da investida planejada. 
9) Uma pessoa armada tem o dobro de chances de sobreviver a um ataque criminoso do que uma indefesa. 
10) Desarmamento é sinônimo de controle social. Os regimes mais totalitários do mundo foram os mais eficientes em desarmar os civis. Mas, ainda assim, falam por aí que ditador é quem quer o povo armado para se defender. 
Enfim, eu já estou convencido. E você? Mudou de ideia? Ou vai querer ser mais santo que Jesus Cristo? Até Ele disse aos seus discípulos: “vendam suas capas e comprem uma arma” (Lc, 22:36). Creio, então, que vale a pena refletir, né? 
(*) Fonte primordial: Mentiram para Mim Sobre o Desarmamento, escrito por Flávio Quintela e Benedito Barbosa, publicado em 2015 pela Vide Editorial. 

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Correio do Poder
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