sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Janaína Paschoal sofre ameaças e pede ajuda: 'Alguém tem que me ajudar a identificar esse cidadão'


Imagem: Produção Ilustrativa / Correio do Poder
A  jurista Janaína Paschoal, autora do pedido de impeachment de Dilma, relata que vem recebendo ameaças, a ela e a sua família, por parte de alguém que se identificou como Ricardo Wagner Arouxa. 



O nome é associado a ataques variados, sempre com ameaças de violência. Há até mesmo um site dedicado a denunciar as ações da pessoa que se identifica como Ricardo Wagner Arouxa. Segundo o site, que traz imagens e mensagens chocantes, Arouxa já ameaçou de morte o escritor Anderson França, ameaçou outros artistas, e manipulou imagens do agente que o investigava. Ele é ainda associado a atos de pedofilia e racismo.  

Janaína Paschoal divulgou um email recebido com ameaças a ela e a sua família, com tentativa de extorsão: "Vejam o que acabei de receber. Não é possível! Alguém tem que me ajudar a identificar esse cidadão".



Segundo a jurista, o início dos ataques coincidiu com denúncias que fez sobre graves irregularidades no concurso para professor titular da Faculdade de Direito da USP. 

Leia abaixo o relato: 

Bom dia, Amados! Pensei muito antes de escrever estes tweets, mas estou muito abalada com o que estão fazendo comigo e a minha família.
Nem durante o processo de impeachment, os ataques foram tão grotescos. Quem está fazendo isso certamente me conhece.
Não estou acusando ninguém. Uma pessoa escreveu reconhecendo ser autora dos ataques. Seu nome: Ricardo Wagner Arouxa. Não sei se é real.
Levantei que existe um Ricardo Wagner Arouxa, mas não sei se é ele mesmo que está orquestrando tudo isso, ou se estão usando seu nome.
O que está me incomodando, especialmente, é o fato de o início desses ataques coincidir com denúncias que fiz ao Diretor da FADUSP.
Por mais que eu tente, não consigo deixar de notar a coincidência entre a data em que fiz as denúncias e o início dos ataques.
Estou divulgando a situação, não para anular o concurso e conseguir qualquer título. Mas porque temo por minha família.
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Todos sabem que fui reprovada com notas muito baixas no concurso à titularidade na Faculdade de Direito da USP.
Por uma série de razões, eu sabia que não passaria e, tão logo os resultados foram anunciados, eu divulguei que não recorreria.
Ocorre que algumas pessoas mais experientes me alertaram acerca das estranhas notas nos memoriais e me aconselharam a olhar os pareceres.
Mesmo convicta de que não recorreria, fui ler os pareceres, para compreender por quais razões tive notas mais baixa, sendo mais antiga.
O teor dos pareceres chamou muito a minha atenção. Os 5 examinadores escreveram que eu só publico artigos em jornais e blogs.
Com relação aos outros candidatos, declararam que todos têm produção científica, integrando vários livros.
Ocorre que, pelo mesmo critério adotado para os colegas, eu sou autora e coautora em mais de 20 livros. Todos os examinadores omitiram.
O que mais me chamou a atenção foi o fato de os 5 examinadores terem declarado que eu não presto nenhum serviço à comunidade.
Com relação ao candidato mais jovem (que ganhou em primeiro lugar); eles destacaram o fato de o colega ter presidido um Conselho.
Amigos, eu presidi o Conselho Estadual de Entorpecentes; faço parte, há 6 anos, do Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil.
Por 3 anos, integrei a Câmara Recursal da OAB/SP; integro o Conselho de Política Criminal e Penitenciária do Estado de São Paulo...
Eu acabo de participar, com muita honra, da Banca que escolheu os novos juízes federais da terceira região. Isso tudo foi omitido.
Além de todos esses trabalhos, que pelos critérios adotados com relação aos colegas, são serviços à comunidade, eu ministro palestras.
Dou palestras gratuitas às Academias de Polícia, no Tribunal de Justiça, e em vários outros órgãos.
Todas as informações que estou resumindo para vocês, constam de meus memoriais e de meus Currículo Lattes. Os examinadores omitiram.
Estranhando a situação, escrevi ao diretor, pedindo que as inverdades fossem corrigidas, eu pedi que a Congregação fosse informada.
Eu cheguei a solicitar que eu mesma pudesse sustentar oralmente, perante a Congregação, antes de o concurso ser homologado.
O diretor indeferiu todos os meus pleitos, dizendo que não era o momento adequado. Mas não é só isso.
Estranhando o comportamento dos examinadores, no que tange aos memoriais, fui investigar a relação entre eles.
Se as informações nos Lattes estiverem corretas: Sérgio Salomão Shecaira compôs a banca de titularidade de Cláudio Brandão.
Se as informações nos Lattes estiverem corretas: Cláudio Brandão foi orientador em doutorado e presidiu a titularidade de Minahim.
Cláudio Brandão possibilitou a publicação de um dos últimos livros de Renato Silveira.
A relação entre Sérgio Salomão Shecaira, Renato Silveira e Alamiro Velludo, o jovem que ganhou em primeiro lugar, também é estreita.
Além das declarações inverídicas nos pareceres referentes aos meus memoriais e da estreita relação entre os membros da banca, houve mais.
Em 2015, Alamiro Velludo integrou a banca de doutoramento de um orientando de Salomão Shecaira. O candidato era Leandro Sarcedo.
Eu tenho o péssimo hábito de ler todos os trabalhos produzidos em meu Departamento.
Eu não leio apenas os trabalhos de meus orientandos, ou aqueles que vou avaliar em bancas, eu procuro ler TODOS.
Li a tese de Sarcedo: "Compliance e responsabilidade penal da pessoa jurídica: construção de um novo modelo de imputação baseado na culpabilidade corporativa. Trata-se de trabalho excelente, que foi até publicado em livro, pela LiberArs.
Haja vista minhas desconfianças com relação ao concurso, solicitei oficialmente ao diretor um exemplar da tese do candidato vencedor.
Mediante a assinatura de um protocolo, o diretor me forneceu um exemplar e eu li.
Usando outras palavras e incluindo novas citações, o candidato vencedor do concurso apresentou como próprias todas as ideias de Sarcedo.
Uma vez que é requisito básico à titularidade apresentar um tese original, eu informei ao diretor o que havia constatado.
Eu pedi ao diretor a oportunidade de falar à Congregação, pois não podemos conceber que um Professor "adote" tese de aluno da casa.
O diretor indeferiu meus pleitos e, ontem, sem detalhar minhas denúncias, colocou o concurso em votação e a Congregação homologou.
Por coincidência, ontem, na Faculdade, encontrei com o diretor e, oralmente, reiterei minhas preocupações.
Gentilmente, ele disse que não adiantava levantar eventual plágio, pois isso não anularia concurso.
Eu disse a ele que a situação era bem mais grave do que um "eventual plágio", que já não acho pouco.
Expliquei ao diretor que uma vez que Shecaira presidiu a banca de Sarcedo e também o concurso à titularidade, seria impossível não notar.
Seria impossível não notar a identidade entre as duas teses. Friso, os textos não são idênticos, mas as ideias são.
Das duas, uma: Ou Shecaira aprovou duas teses sem ler. Ou Shecaira foi conivente com o fato de o vencedor apresentar ideias de outrem.
Seja a primeira, seja a segunda hipótese, o concurso resta maculado.
Se eu fosse diretor de uma Faculdade pública e um professor me reportasse quadro tão grave, no mínimo, eu informaria à Congregação.
Não foi isso que ocorreu. Não sei se conseguirei dar aula, depois de tornar públicos esses fatos. Imagino que tentarão me expulsar.
Também não sei, em meio às ameaças que estou recebendo e aos ataques pornográficos, se terei cabeça para preparar recursos e impugnações.
Como disse ao diretor, eu não ligo para títulos; mas o que está ocorrendo na faculdade precisa ser apurado.
Capa do livro de Leandro Sarcedo, cuja banca foi presidida por Shecaira e integrada por Velludo.



Prefácio feito por Shecaira ao livro de Leandro.



Capa da tese vencedora, com notas altíssimas.


Link para a tese de Sarcedo: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2136/tde-07122015-163555/pt-br.php
Não quero mal a ninguém; ao contrário, quero bem a todos. Mas se não zelarmos pelo que é certo, nenhum aluno terá gosto em estudar.
Prova de que o Diretor foi informado sobre tudo que divulguei aqui, antes da homologação do concurso.



Veja também:




Correio do Poder
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