sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Notícias desqualificando delações são parte do esforço para acabar com a Lava Jato, diz Janaína Paschoal


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A jurista Janaína Paschoal chama a atenção para o aumento de notícias que desqualificam o instituto da delação premiada, afirmando que as delações realizadas até agora foram incompletas ou inverídicas. Para Janaína, essas notícias visam criar factoides dentro de um esforço maior para anular toda a operação Lava Jato. 



Leia abaixo o alerta de Janaína Paschoal: 

Estou muito preocupada com as notícias que vêm se multiplicando, no sentido de que as delações foram incompletas. Primeiro, sob o ponto de vista técnico, é importante ter claro que o delator não tem o dever de fazer todo o trabalho pelas autoridades. Em nenhum artigo de lei, está escrito que o delator precisa entregar documentos do que fala. Ele conta o que sabe, apresenta o que tem. Cabe às autoridades, com base no que foi revelado, investigar e avaliar quanto o depoimento ajudou para fins de cálculo dos benefícios. As notícias que vêm sendo publicadas criam o factoide de que as delações foram incompletas, inverídicas. Todo depoimento é subjetivo.
Leia também: 
'Você tem dúvida?', diz FHC, ao ser questionado se há operação abafa contra Lava Jato
Herdeira bilionária doa dinheiro, joias, roupas e objetos a Lula
Alexandre Frota pede ajuda da população para projeto de senador que reduz salários dos políticos pela metade; veja
Quem aprova fundão de R$ 3,6 bi não tem moral para pedir economia de R$ 3 bi com voto impresso, diz colunista


O depoente, delator ou não, conta o que sabe, sob sua perspectiva. As autoridades avaliam o todo. Por que ando preocupada com essa deturpação do papel dos delatores? Porque acredito, firmemente, que o factoide está sendo plantado. Paulatinamente, vão criando na população o sentimento de que houve muitos erros, muitas incongruências. Que o Direito exige a anulação. Foi assim com outras grandes operações. Começaram as notícias plantadas de supostos abusos, ilegalidades e tudo foi jogado fora. Eu já vi esse filme, por isso me sinto no dever de alertar. Anular a Lavajato, hoje, beneficia gregos e troianos. Beneficia, inclusive, gente que sabe que será alcançada e, por isso, já se movimenta para criar o clima de que foi tudo errado.
Estranhamente, o Procurador Aragão, petista de carteirinha, fez um texto elogioso à nova PGR. Um ponto me chamou muito a atenção. No texto, Aragão diz que Dodge será técnica, que não admitirá vazamentos e exposições indevidas. A leitura otimista indica que a nova PGR será implacável com o crime e seu colega, mesmo não gostando dela, por Justiça, a defendeu. Mas há também a leitura pessimista. Aragão, sabendo que se está criando o clima para tudo ser anulado, exalta as qualidades técnicas. A mensagem seria  a seguinte: mesmo não gostando da nova PGR, reconheço seu perfil técnico e a necessidade de alegar as nulidades. Estão captando? Ora, juristas, de linhas ideológicas diferentes, estão dizendo que está tudo errado. O que o povo pode fazer? Vai soar pedante, mas eu vou dizer mesmo assim, o povo pode me ouvir: isso é tudo jogo de cena para anular a Lavajato.  FHC foi testemunha de defesa de Lula; Lula prestou depoimento exculpando Aécio em Furnas; juristas julgam a Lavajato... hum... Eu não tenho cargo, eu não tenho poder, mas eu posso alertar o povo e explicar que eventuais incongruências nas delações são naturais. As notícias que pululam são muito propícias a muitos grupos organizados. Só não são propícias ao povo disperso. 

Veja também:



Correio do Poder
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...