terça-feira, 4 de julho de 2017

Janaína Paschoal alerta para campanha de 'demonização' do juiz Sergio Moro perpetrada por parte da mídia


Imagem: Produção Ilustrativa / Correio do Poder
A jurista Janaína Paschoal fez um importante alerta sobre a mudança no tratamento, pela imprensa, da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro, após a ampliação das investigações. Com mais políticos implicados, há um esforço conjunto para desmoralizar a operação e o juiz, e a imprensa vem participando desse esforço, denuncia Janaína. 



Leia abaixo o texto de Janaína Paschoal: 


Vocês bem sabem que eu não acho saudável para o Brasil esse "costume" de endeusar pessoas: criar ícones. Por isso raramente personalizo os fatos. Vocês não vão encontrar nenhum Tweet meu aplaudindo Sérgio Moro. Nem gosto das camisetas estampadas com o rosto das pessoas como se fossem santas. Respeito quem goste, mas não gosto. No primeiro ano da Faculdade, li Estado Espetáculo e acredito que parte do nosso insucesso se deve a necessidade de ícones/salvadores. Muito embora não endeuse Sérgio Moro, resta impossível deixar de perceber a campanha construída para atacá-lo.
Antes da absolvição do tesoureiro do PT, noticiava-se que as sentenças de Moro eram seguidamente mantidas. Bastou o tesoureiro do PT ser absolvido, as estatísticas mudaram. Agora, notícia-se que 70 por cento de suas sentenças são alteradas.
Leia também:

Não sei qual dado é o correto. O Brasil não é confiável para dados. Mas resta evidente a mensagem que se quer passar: Moro erra!
Tratando-se de um ser humano, não haveria nada de surpreendente na constatação de que Moro erra. Mas o intuito não é humanizar o mito. O intuito da nova campanha é sair do endeusamento para a demonização e desmerecer os muitos e incontáveis acertos.
Já há análises no sentido de que condenações passaram a ser revistas em virtude da ausência de pressão popular. Concordo com a constatação, em parte. A pressão popular era importante para garantir as condenações e sua manutenção. No entanto, isso não significa, como querem fazer crer muitos criminólogos, que a pressão popular enseja a condenação de inocentes. Em um país em que os poderosos vivem blindados, a pressão popular pode ser essencial para possibilitar a punição dos culpados.
Já deixei claro que não sou entusiasta das 10 medidas e que não concordo com todas as imputações e decisões no âmbito da Lavajato. Não se trata, portanto, de endeusamento. Mas não posso ficar calada diante do inegável pacto para aniquilar essa importante operação.
Muitos são os sinais de acordo entre PT, PSDB e PMDB para salvamento geral. O pacto conta com respaldo de boa parte do mundo jurídico. Agora, resta interessante para todos desmerecer Moro e desprestigiar por completo a delação premiada.
Os veículos de imprensa, alinhados com gregos ou com troianos, vão criando a ideia de que Moro erra e que seus erros devem ser sanados. Todos aplaudem a absolvição do tesoureiro do PT, como se fora prova dos abusos da Lavajato. Os petistas não atacam Aécio e Dória diz que Lula deve ser vencido nas urnas. Os ataques a Temer também são feitos para não "pegar mal".
Não sou dona da verdade, mas estou atenta aos sinais. Confiram e digam se eu estou errada.

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Correio do Poder 
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