domingo, 9 de abril de 2017

PF intima Dirceu para depor sobre seu filho e sobre Aécio no Supremo


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O delegado de Polícia Federal Álex Rezende pediu autorização à Justiça Federal, no Paraná, para que o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) preste depoimentos em dois inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). Dirceu está preso desde agosto de 2015 na Operação Lava Jato.

Um dos inquéritos, instaurado no fim do ano passado, investiga o deputado Zeca Dirceu (PT), filho do ex-ministro. O procedimento está em segredo de Justiça.

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O outro inquérito tem como investigado o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e supostas vantagens indevidas em Furnas. A relatoria é do ministro Gilmar Mendes.

A investigação é um dos desdobramentos da Lava Jato e foi aberta a partir da delação do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT/MS). O inquérito apura suposta corrupção e lavagem de dinheiro de Aécio.

Em ofício à 12.ª Vara Federal, de Curitiba, o delegado apontou ‘a necessidade da colheita de declarações de José Dirceu de Oliveira Silva’ em duas investigações. Álex Rezende sugeriu que o depoimento seja colhido em 18 de abril, a partir das 14hs, na Superintendência da Polícia Federal, no Paraná.

“Visando instruir os autos do Inquérito n.º 4322-STF, referente ao RE 80/2016-GINQ/STF/DICOR/PF, e do Inquérito n.º 4244-STF, referente ao RE 40/2016-GINQ/STF/DICOR/PF que investigam pessoas com prerrogativa de foro no Supremo Tribunal Federal, e considerando a necessidade da colheita de declarações de José Dirceu de Oliveira e Silva no interesse destas duas investigações, no dia 18/04/2017, terça-feira, a partir das 14h na Superintendência da Polícia Federal no Paraná, solicito a Vossa Excelência autorização para que o mesmo possa ser conduzido por policiais federais até as dependências da SR/PR, para ser ouvido nos inquéritos acima mencionados, tendo em vista que o mesmo cumpre prisão na Colônica Médico-Penal”, escreveu o delegado.

Dirceu está preso no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba. O ex-ministro tem duas condenações na Lava Jato e a pena mais alta imposta pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações na 1.ª instância.

Em um processo, o ex-ministro pegou 20 anos e 10 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema Petrobrás desmontado pela operação.

No outro processo, Dirceu foi sentenciado a 11 anos e três meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no esquema de corrupção na Petrobrás.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ALBERTO TORON, QUE DEFENDE O SENADOR AÉCIO NEVES

“Desconhecemos as razões das oitivas de adversários políticos do senador Aécio Neves, como José Dirceu e Silvio Pereira, já amplamente noticiadas pela imprensa, inclusive pelo O Estado de S. Paulo, mas consideramos que, como nunca houve fatos irregulares da parte do senador, quanto mais pessoas ouvidas com o compromisso da verdade, melhor os fatos serão esclarecidos.” Alberto Toron.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO KAKAY, QUE DEFENDE ZECA DIRCEU

“Esse inquérito é uma coisa um pouco teratológica. Foram dois depósitos de R$ 10 mil na campanha do Zeca Dirceu, de pessoas que ele não conhecia, que ele não tinha contato. Abriram o inquérito sem nenhum tipo de fundamento. Talvez seja o inquérito de toda a Lava Jato mais fraco, mais frágil que eu vi. As pessoas que depositaram não conhecem o Zeca, ele nunca teve contato com a Petrobrás. Zero de contato. Ele é filho do Zé Dirceu, um cara estigmatizado hoje. Esses dois depósitos não foram feito a pedido dele. Tipo de caso que é abuso de autoridade. Movimentaram o Brasil inteiro, fizeram um inquérito gastando uma fortuna para ouvir pessoas sem ter absolutamente nada. Dois empresários, a pedido do Zé depositaram R$ 10 mil na conta. O Zeca Dirceu teve uma campanha super pulverizada, completamente diferente da história do pai dele. O fato de a empresa do Zé Dirceu ter doado R$ 20 mil foi objeto de investigação. É um inquérito de caça às bruxas, sem nenhum fundamento. José Dirceu foi chamado para prestar depoimento por causa disso.”

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Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo
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