domingo, 7 de setembro de 2014

Na década de 80, Marina usou codinome e se afastou da igreja para militar no Partido Revolucionário Comunista (PRC)


Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Após desistir do sonho de infância de ser freira e antes de se converter à igreja evangélica Assembleia de Deus, Marina Silva experimentou um período de radicalismo político. Foi nos primeiros anos da década de 1980, quando militava na organização clandestina Partido Revolucionário Comunista (PRC).


Apesar de adotar o codinome Sara, de origem bíblica, na luta contra a ditadura militar, Marina se distanciou na época da Igreja Católica.

"Acho que teve esse rompimento com a estrutura da igreja. Mas, com Deus, eu não sei. Depois, ela já começou a se incorporar de novo e, antes de virar evangélica, ficou bastante religiosa", diz Júlia Feitosa, que era companheira inseparável de Marina –entraram juntas na faculdade de história e militavam no PRC.

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A entrada de Marina Silva na organização, que na esfera nacional contava com o ex-deputado José Genoino, ocorreu em 1979, enquanto participava do conjunto experimental de teatro Grupo Semente, conforme a biografia autorizada "Marina: a Vida por uma Causa", de Marília de Camargo César.

Marina não tinha vocação para atriz –seu primeiro papel foi interpretar um cacto parado. Mas o grupo serviu para que a ex-seringueira, alfabetizada aos 16 anos, tivesse contato com obras de Bertolt Brecht e Lênin.
Imagem: Tião Fonseca/Reprodução do livro

O passo seguinte foi se unir ao PRC junto com seus melhores amigos da época: Binho Marques, futuro governador do Acre (2007-2011), e Feitosa, hoje assessora da Secretaria de Articulação Institucional do governo estadual e fervorosa militante petista.

"O PRC era uma estratégia para estar em vários lugares e avançar no que a gente imaginava que ia fazer, a revolução armada no Brasil. A gente sonhava alto", relata Feitosa.

Aos 60 anos, com adesivo de Dilma Rousseff no peito, ela concedeu entrevista no escritório de campanha do deputado petista Sibá Machado. Feitosa conheceu Marina nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), organização da esquerda católica em bairros pobres. Passaram para o teatro, onde conheceram Binho.

A sua melhor amiga na época descreve Marina como tímida, estudiosa e discreta, "mas firme na fala". "Era sempre quem fazia o discurso."

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Juntos, os três se prepararam para o vestibular e foram aprovados para o curso de história da Universidade Federal do Acre (UFAC), iniciado em 1980, quando Marina tinha 22 anos. "A gente estudava junto, comprava um livro para os três, participávamos do mesmo grupo de trabalho escolar, éramos quase a mesma pessoa."

Em paralelo com os estudos, havia a militância na célula do PRC da universidade, que tinha dez membros. A atuação lá foi principalmente no movimento estudantil, disputando com trotskistas e stalinistas. Via PRC, Marina ajudou a organizar a primeira greve da história da UFAC, contra contenção de gastos.

"O Chico Mendes [assassinado em 1988] era do PRC. E a gente acompanhava a luta. Mas nunca tivemos armas, nunca fizemos treinamento de guerrilha, nunca fomos detidos", lembra Feitosa. Com a redemocratização em curso, o PRC aos poucos deixou o ideal revolucionário para virar uma tendência de esquerda do PT, para o qual Marina se filiou em 1985.

"Fazíamos reuniões dentro da célula para decidir como votar no PT. A gente atuava dentro do PT, fazia a política do PT. Mas éramos minoria dentro do PT", diz o advogado Gomercindo Rodrigues, que pertencia à célula de Chico Mendes, em Xapuri (AC).

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O que há em comum entre a Marina revolucionária e a candidata a presidente? "Continua persistente, sempre foi a marca dela. Sua vida teve dificuldades, problemas sérios de saúde. A vinculação ambiental se manteve. E, se for para debater com ela, é complicado, ela sempre teve boa oratória", diz Rodrigues. 

FABIANO MAISONNAVE
DE ENVIADO ESPECIAL A RIO BRANCO
Folha de S. Paulo
Editado por Correio do Poder
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